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HSM Expo 2018: Conheça quem são alguns dos especialistas mais reconhecidos da gestão mundial

09.Nov.2018

A HSM é referência quando o assunto é inovação em gestão. Desde sua fundação, em 1987, trabalha com a missão de transformar o país por meio do desenvolvimento de líderes e organizações e, hoje, é uma plataforma de conhecimento que conecta o cenário global e a realidade brasileira. Pensando nisso, a edição de 2018 da HSM Expo, que nos teve como uma das patrocinadoras, realizada entre os dias 5 e 7 de novembro no Transamerica Expo Center, cumpriu esta missão de fazer a ponte entre grandes organizações e startups, Brasil e exterior, presente e futuro.

Durante os três dias de palestras, talks e networking propiciados pela feira de negócios, muitos nomes relevantes do mercado passaram pelo espaço e buscaram influenciar positivamente o público com suas experiências e projeções. Entre eles, identificamos alguns dos nomes mais reconhecidos da gestão mundial, que possuem diferentes experiências e expertises: Wiliam Ury (EUA), Susan Cain (EUA) e Joichi Ito (Japão). Conheça um pouco mais sobre cada um:

Wiliam Ury

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William Ury - foto: Open Space

O estadunidense Wiliam Ury, 65 anos, antropólogo e um dos grandes consultores de negócios do mundo, é considerado um dos maiores experts em gestão de conflitos e negociações.

Graduado em Antropologia pela Yale University e com PhD pela Harvard University, Ury é cofundador e professor do Program on Negotiation da Harvard University. Seu conhecimento e experiência são difundidos mundo afora, seja em palestras ou em seus livros publicados, considerados best-sellers da área, com mais de 12 milhões de cópias vendidas e publicados em 34 idiomas. Alguns destes títulos são “Getting to yes”, “Negociando para vencer”, “Getting to peace”, “O poder do não positivo” e, mais recentemente, “Como chegar ao sim com você mesmo”.

Ury é reconhecido por ter atuado como intermediador e negociador em operações internacionais de grande complexidade. Com relação ao Brasil, há anos vem construindo sólida relação, conhecendo nossas empresas, líderes e economia. Isto fez com que conseguisse promover, em apenas quatro dias, o acordo entre Abilio Diniz e Jean-Charles Naouri na transição do Grupo Pão de Açúcar.

Sua palestra, apresentada no primeiro dia da HSM Expo, chamava-se Negociando em tempos difíceis e levou ao público, além de experiências pessoais, seis dicas valiosas sobre como negociar. O segredo, segundo ele, não é tentar convencer, a todo custo, o outro lado a mudar de opinião - afinal, o maior desafio para conseguir o sucesso em uma negociação não é a pessoa sentada do outro lado da mesa e, sim, nós mesmos. O melhor caminho é apresentar condições favoráveis para que a pessoa se sinta confortável em aceitar a proposta. Ou, em outras palavras, transformar a confrontação em cooperação.

Suas dicas vão desde a mentalização de seus próprios anseios, desenvolver diversas estratégias possíveis, descobrir seu poder, procurar soluções criativas, saber se colocar no lugar do outro, saber o que oferecer em troca, mostrar respeito e empatia e até mesmo saber dizer um “não” estratégico. “Quando há uma grande distância entre você e o outro, mesmo depois das dicas, não puxe para o seu lado e, sim, crie uma ponte de ouro. Facilite para a outra pessoa. Onde está a mente dela? Ponha-se no lugar dela. Comece de onde o pensamento da pessoa está e faça a situação atrativa para que ela diga sim no lugar onde você a quer. Satisfaça algumas necessidades da pessoa como reconhecimento, segurança, autonomia e poder. Ajude o outro lado a construir o discurso da vitória. Se ele ganhasse, o que falaria? Se você estiver preso numa negociação, escreva o discurso da vitória do outro lado para saber onde dialogar e flexionar”, aconselha.

Ury, que não acredita ser nem pessimista nem otimista, disse que prefere se ver como um “possibilista”, uma pessoa que acredita em acordos possíveis e benéficos para ambas as partes. “Talvez o nosso maior poder como negociadores é o poder de mudar o jogo. Eu acredito no Brasil e numa possibilidade de brasileiros, de transformar situações difíceis em situações possíveis”, diz.

De onde vem sua inspiração?
Minha inspiração é uma grande pergunta (risos). Vem de uma dúvida que eu tive durante muitas décadas que é: “Como nós, seres humanos, podemos aprender a viver juntos e lidar com nossas diferenças da maneira mais produtiva possível?”. Então, minha experiência é ser um antropólogo de formação, ser um mediador enquanto profissional, e a minha grande paixão é a paz.

Cite um livro que marcou a sua vida.
Quando era jovem, admirava muito o trabalho de um autor estadunidense chamado Emerson Ferrell, e também adorava o autor chinês Lao Tsu.

Recomende atividades diárias simples para ter um melhor relacionamento com as pessoas.
A atividade número um que eu recomendo para ter um melhor relacionamento com os outros é praticar o ato de ouvir. Ouvir e não apenas escutar as palavras, mas ouvir o que está por trás das palavras, o que está nas entrelinhas. Ouvir e tentar se colocar no lugar do outro, e tentar entender o que a pessoa quer.

Susan Cain

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Susan Cain - foto: Open Space

Susan Cain, de 50 anos, natural dos Estados Unidos, é formada pela Princeton University com Bacharelado em Artes e pela Harvard Law School. Trabalhou inicialmente como advogada, então como consultora de negócios e, mais recentemente, publicou o premiado livro “O poder dos quietos: como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar”, best-seller mundial publicado em mais de 30 idiomas.

Participou do TED Talks com a palestra “O poder dos introvertidos”, vídeo assistido mais de cinco milhões de vezes e indicado por Bill Gates como um de seus favoritos. Ela utiliza conceitos da psicologia contemporânea e história cultural para explicar a necessidade de sociabilidade constante a qual as pessoas são submetidas. A cultura da personalidade, característica marcante do século XX, faz com que as pessoas tenham que provar seu valor numa multidão de estranhos, tornando o carisma cada vez mais importante. Para que haja maior aproveitamento dos profissionais nos ambientes de trabalho, por exemplo, ela sugere mais privacidade, liberdade e autonomia, facilitadores de processos de busca interior e pensamento profundo, além de maior contato com a natureza.

Em sua palestra na HSM Expo, homônima ao best-seller, deu dicas para melhorar o convívio em sociedade, na escola e no trabalho. “As crianças introvertidas têm mais capacidade de foco. Einstein, J. K. Rowling e Warren Buffet são as versões adultas dessas crianças”, exemplifica.
Para Cain, que se baseia na teoria do psicanalista Carl Jung, deve existir um yin-yang de ambas características - introversão e extroversão. “No trabalho e na vida pessoal, é importante que introvertidos e extrovertidos entendam a dinâmica uns dos outros para evitar mal-entendidos”, diz. “E, extrovertidos, se vocês querem tirar o melhor do pensamento dos introvertidos, contem antes para eles sobre o que querem que eles falem, para que tenham tempo para pensar”.

Susan ainda acredita que os introvertidos têm suas potências e não devem ser desconsiderados apenas pela maneira mais discreta de se portar. Pelo contrário, estes devem ser estimulados a expandir seus limites e, para isso, é preciso descobrir quais são suas ambições e suas fortalezas, refletir sobre como poderiam ser utilizadas de maneira mais efetiva e como este indivíduo introvertido poderia se tornar um líder competente.

Como você acha que as pessoas introvertidas podem tirar vantagem desta característica no mercado?
Eu diria que as pessoas tímidas e introvertidas são como todo mundo: precisam fazer o trabalho de descobrir suas forças para chegar ao sucesso. Geralmente, essas características vêm junto com a tendência a realizar pensamentos profundos, fazer boas perguntas, olhar além do horizonte… Então as pessoas precisam aprender a dar valor para estas características e usá-las a seu favor - e, ao mesmo tempo, estrategicamente pisar fora de sua zona de conforto quando isto fizer sentido. A chave é ter certeza que quando você for sair de zona de conforto, que faça isso com respeito próprio com relação a quem você realmente é. Por exemplo, se você vai passar um dia todo em reuniões, talvez você queira marcar um almoço com você mesmo, e deve honrá-lo isso tanto quanto como se fosse um encontro com um cliente. O que as pessoas me disseram é o paradoxo de que quanto mais sentem respeito próprio e permissão para ser eles mesmos, mais à vontade se sentem para atividades de sociabilidade, como entrevistas e encontros.

Você acredita que a inteligência artificial pode ajudar as pessoas introvertidas?
A melhor coisa é estar verdadeiramente confortável sendo você mesmo em vez de se apoiar em algo que fará o trabalho de ser você. Então acredito que é mais uma questão de desenvolver as habilidades que você precisa para melhorar seu desempenho.

O que é ser líder para você?
Para mim, ser líder é ter um senso apurado do lugar certo a ir e ter a coragem de acreditar em suas convicções e trazer pessoas junto com você. Muitas vezes tendemos a pensar que ser líder é agir de uma certa maneira, mas não é sobre isso - ou, pelo menos, não deveria ser - e, sim, sobre pensar profundamente sobre onde uma organização ou um grupo de pessoas deveria ir e levar as pessoas até lá.
Quando falamos sobre introvertidos, existem muitos estudos que mostram que líderes introvertidos, surpreendentemente, mostram melhores resultados do que líderes extrovertidos. Acredito que isso é justamente por conta deste processo de profunda análise antes de mobilizar as pessoas de fato.

Joichi Ito

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Joichi Ito, foto: Open Space

O japonês Joichi Ito, 52 anos, também foi um dos grandes gestores a participar da HSM Expo em 2018. Ele é diretor-geral do MIT Media Lab, do Massachusetts Institute of Technology, em Boston, um dos maiores centros de inovação do mundo, com um time de cerca de 800 pessoas, 92 patrocinadores e um budget de cerca de 80 milhões de dólares por ano. Também é coautor da obra “Whiplash: how to survive our faster future”, publicada recentemente.

É um empreendedor serial, que ajudou a lançar e dirigir inúmeras empresas, incluindo uma das primeiras empresas de internet no Japão, a Digital Garage, e foi investidor na fase inicial de empresas como Twitter e Flickr.

Ito é PhD pela Keio Universidade de Mídia e Governança pela sua tese “A prática da transformação”, de 2018, que está sendo transformada em livro e foi apresentada em formato de palestra no evento. Intitulada A prática da transformação constante, sua fala tratou de temas como as eras pré e pós-internet, sendo esta última, em sua análise, mais rápida e complexa. “Antes da internet, as coisas se moviam mais lentamente, você ia para a faculdade, estudava e seu trabalho não mudava muito durante os anos. Tivemos mudanças durante a revolução industrial, mas, no geral, tudo continuava como antes. Com a internet, o mundo se tornou muito mais imprevisível”, afirma.

Para ele, esse novo mundo interconectado e complexo tem um tipo diferente de problema. No passado, muitos problemas eram resolvidos com mais eficiência e maior produção, mas estas técnicas causaram mudanças climáticas, problemas de saúde e podem ter agravado a desigualdade social. Sendo assim, Ito acredita que não se pode usar as mesmas ferramentas de antes e, sim deve-se criar novas abordagens para mudar a nossa cultura e poder solucionar os problemas do futuro.

“O mercado financeiro é um sistema complexo, ele flutua muito e quando queremos estabilizá-lo, criamos muitas regras. Os objetivos são claros: queremos maximizar o lucro e diminuir as perdas. O mercado ficou super eficiente, mas isso causou desigualdade social e problemas climáticos”, diz. “Eu acho que a causa mais provável do fim da humanidade vai ser um erro de biotecnologia”.

Em sua visão, um dos pontos principais para esta possível solução está na mão das crianças. "As pessoas da geração Z, nascidas depois de 2001, têm uma sensibilidade muito diferente, porque cresceram entendendo que o mundo é complexo, e elas estão prontas para iniciar uma grande mudança cultural”, diz.

Em sua palestra, você disse que acredita muito nas crianças para construir um futuro melhor. Comente.
Esses novos problemas que nós temos, e que não tínhamos quando estávamos crescendo, como mudanças climáticas e outros problemas modernos, são complexos. Eu acredito que para mudar problemas complexos, nós temos que mudar nossa cultura, e não simplesmente mudar as regras. E eu acredito que as novas crianças, que estão crescendo hoje em dia, já nasceram em uma cultura em que nós entendemos as mudanças climáticas como um problema, e que saúde pública é um assunto difícil. Eu acho que eles entendem isso não só de maneira racional, mas emocional também, e sob diversas perspectivas sobre o que significam estes problemas. Então sou confiante de que elas terão uma maior sensibilidade para lidar com estes novos desafios do que nós temos.

Qual a função de um líder em uma empresa?
Em uma companhia onde você está tentando organizar um sistema muito bem estruturado, geralmente o líder é como o líder de um barco. É bem parecido com um capitão que está no comando. Ele descobre quais são as ordens e diz a todo mundo o que fazer. Mas em um sistema complexo e criativo, eu acredito que um líder é muito mais parecido com um jardineiro, que está tentando criar um ecossistema onde a criatividade e a inovação acontecem. Acho que, por exemplo, em lugares como o media lab, onde a questão é realmente sobre gerar um sistema de criatividade e liberdade, meu trabalho é mais gerir a cultura do que gerir apenas os detalhes das operações.

Postado em: [Tecnologia e Inovação]

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