Lídia Santa Anna diz: Trabalhar com a pesquisa é um desafio constante, o tempo inteiro você sabe que a possibilidade de sucesso é de cinqüenta por cento de dar certo, cinqüenta por cento de não ter o sucesso que você almeja. Mas o que faz, é... a diferença de um pesquisador, de repente, para uma área de negócios é a fé, né?!
Carlos Khalil diz: A Petrobras é uma empresa de petróleo, mas, antes de mais nada ela é uma empresa de energia. E tudo que vem da natureza... armazena uma forma de energia. Então quando você trabalha com esses materiais e você vê que uma semente pode substituir o petróleo, mesmo que parcialmente ou temporariamente, você tá fazendo um elo de ligação entre a energia que esta contida no petróleo com a energia daquela semente recente.
Nei Pereira Jr diz: É, eu vejo a produção de biocombustíveis, é como eu costumo dizer, de uma maneira popular: “um caminho sem volta”. Nós denominamos de etanol de primeira geração aquele produzido por tecnologia já estabelecidas. Segunda geração nós consideramos o etanol produzido de resíduos.
Lídia Santa Anna diz: Hoje o foco é se produzir combustíveis, biocombustíveis com sustentabilidade. Levando em consideração os aspectos econômicos, lógico, mas principalmente os ambientais e sociais.
Nei Pereira Jr diz: O Brasil produz hoje em torno de trezentos e cinqüenta milhões toneladas de resíduos. Esses resíduos são ricos em carboidratos, conhecidos popularmente por açucares.
Lídia Santa Anna diz: Então você não tem que aumentar a área de plantio pra você poder obter a tua matéria prima. Você vai obter a tua matéria prima dos materiais que são depositados que... podem gerar impacto ambiental. A princípio nós estamos usando o modelo... é bagaço, porque o bagaço é o resíduo mais expressivo no nosso país.
Carlos Khalil diz: Se a gente olhar os outros países que já produzem, tem experiência com biodiesel... cada país praticamente trabalha com uma oleaginosa. O Brasil, ela é...tem uma diversidade de semente fabulosa. Então a gente sai da Amazônia até o Rio Grande do Sul, nós vamos encontrar aí algo em torno de vinte a vinte e cinco sementes que tem potenciais elevados para a produção de biodiesel.
Lídia Santa Anna diz: Então aqui tá o grande desafio tecnológico. Que não é nenhum bicho de sete cabeças! (Risos) Não não é, não é. Bom, nos temos a celulose, o material, o bagaço, e aí nós vamos fazer uma hidrolise, que é uma quebra desse bagaço. Então acabou essa lavagem, nós separamos o líquido do sólido. Nós fazemos outra lavagem. E agora uma lavagem alcalina. E aí nós temos a celulose pura. Nós jogamos uma enzima que quebra esse polímero em glicose, em açucares menores, e adicionamos uma levedura. Tem levedura da cerveja, do pão, e ela vai converter esse açúcar que tem aqui a etanol.
Nei Pereira Jr diz: O etanol de terceira geração, nós estamos considerando, aquele que vem de biomassa marinha.
Carlos Khalil diz: As algas marinhas que são produzidas de maneira... em cativeiro, e que contém alto teor de óleo. Isso, sem dúvida, é o que tá despontando nosso futuro em biocombustível. É trabalhar com algas marinhas e isso tendo uma renovação quase que diária.
Lídia Santa Anna diz: Nosso desejo é que isso se torne uma realidade industrial o mais rápido possível, e que a Petrobras seja vanguarda nessa tecnologia. Esse é o nosso objetivo,o nosso desafio.
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