Guy Marcovaldi diz: Estamos nos preparando para fazer 30 anos do Tamar, mudamos a história das tartarugas no Brasil e hoje elas estão em recuperação. Mas todo o problema das tartarugas e dos outros animais ameaçados de extinção, não tá no próprio animal. A gente trabalha com gente. O que nós fizemos... na primeira praia que nós chegamos, nos debatemos no seguinte: uma galera de pescadores matando e pegando ovos de tartaruga. E a gente só disse assim: a única chance de que nós temos de mudar esse panorama, é contratar essas pessoas pra trabalhar pra gente.
Claudemar Santana diz: Com cinco, seis anos de idade já ficava com minha irmã vendendo doce na praia, vendia também bastante picolé e, ai, com 13 anos e, o meu tio trabalhou aqui no projeto Tamar e soube desse projeto, desse programa de Tamarzinhos que antigamente era chamado de guias mirins, e ai ele levou a ficha pra casa pra me inscrever. E eu fui selecionado pra ser um guia mirim,e ai eu tentei me destacar muito, viu.
Bebel Gil de Paiva diz: O objetivo é a tartaruga né. É diminuir o impacto em relação à tartaruga marinha. O alvo da pesca são os peixes grandes, os tubarões, e as tartarugas inocentes acabam sendo capturadas acidentalmente né.
Claudemar Santana diz: Pra gente que trabalha aqui, que mora aqui, é um pouco mais fácil lidar com essa situação. Porque o pesquisador vem de lá de fora pra conversar com o pescador, então o pescador meio toma aquele impacto né. Fica meio que uma situação chata. Então pra gente que trabalha aqui, que já tá sensibilizado com esse projeto, é muito mais fácil conversar com aquele pescador.
Guy Marcovaldi diz: O que a gente precisa é retirar as pessoas que atrapalham a vida das tartarugas. Ou seja, mudar o hábito. Então, todo o trabalho é voltado pra mudança de hábito, a mudança cultural das pessoas. E isso tudo começou, também, porque nós estamos testando um anzol moderno, chamado anzol circular.
Bebel Gil de Paiva diz: Esse tipo de anzol... Ela diminui o impacto com as tartarugas marinhas, ela pesca menos, e quando pesca, ele é mais fácil de ser retirado da boca da tartaruga.
Guy Marcovaldi diz: Então, eu, pra chamar atenção do anzol, eu resolvi: eu não vou pescar anzol peixes comum que não chamam atenção. Eu vou levar esses anzóis para quinhentos, seiscentos, mil metros, e vou soltar esse anzol pra trazer peixes diferentes. As pessoas, ao verem esses peixes diferentes, vão prestar atenção no anzol.
Bebel Gil de Paiva diz: E ai, em conseqüência disso, tá vindo esses animais novos. Tanto tem alguns registros novos pro Brasil de família e gênero, tanto pro Brasil quanto pro Atlântico Sul.
Guy Marcovaldi diz: Uma coisa importante é a nossa contribuição pra ciência né? Ao mesmo tempo que a gente gera emprego pro pessoal, nessa brincadeira tem umas 30 pessoas trabalhando né, gera renda e gera conhecimento científico.
Claudemar Santana diz: Isso em função do próprio Tamar, desse projeto que tem importância tanto grande, tanto para o ecossistema marinho, pra proteger as tartarugas e a vida marinha, tanto também para as comunidades que gera emprego que muda a vida de pessoas, no caso da minha. Em maio do ano passado fiz o vestibular pra Biologia Marinha. Consegui passar, deu até pra incluir o curso de inglês, o Tamar que me paga metade do curso de inglês para mim. Ai eles passaram, me tiraram do atendimemento e me botaram pra ser tratador dos animais. Me amarrei, fiquei dois anos dando comida pras tartarugas.
Guy Marcovaldi diz: Realmente eu nunca podia imaginar que nos virariamos um grupo tão grande e tão heterogêneo né. Porque tem arquiteto, tem advogado, tem contador, tem tudo quanto é profissão trabalhando no Tamar. Biólogos, muitos e muitos pescadores, filhos e netos.
Bebel Gil de Paiva diz: Ah, pra mim é gratificante até pelo fato do Tamar ser um projeto que deu certo né, desde o início. Já vai fazer 30 anos agora, acho que é um dos mais conceituados. Então assim, profissionalmente, pra mim, é gratificante né.
Claudemar Santana diz: Eu fico muito grato quando abro um ninho de tartaruga e vejo aquelas cabecinhas assim se mexendo. A gente pega o filhotinho e eu dou um sorrisão pra galera e mostro assim. Depois acompanhando o filhotinho indo para o mar. Isso é um ato que todo o brasileiro tem que ter, de preservar, de plantar, de colher.
Guy Marcovaldi diz: Enfim, eu me sinto muito bem.
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