Apresento o Relatório de Sustentabilidade 2009 da Petrobras que, diferentemente dos anos anteriores, reúne numa só publicação dois de seus relatórios que foram produzidos até 2008, o Relatório Anual e o Balanço Social e Ambiental. Para a Petrobras, o Relatório de Sustentabilidade é um instrumento essencial à transparência no monitoramento, divulgação e prestação de contas aos seus públicos de interesse sobre sua atuação nas dimensões econômica, ambiental e social. Por meio de informações úteis, claras e precisas, a publicação revela que as ações da companhia são coerentes com os compromissos por ela firmados.
Em 2009, a consolidação das descobertas de petróleo e gás na camada Pré-Sal do litoral brasileiro, aliada à bem-sucedida captação de recursos, possibilitou a manutenção das metas de produção. A despeito da desaceleração econômica mundial, apostamos na recuperação dos preços do petróleo, o que se confirmou ao longo do ano. Intensificamos os investimentos e o ritmo de nossas atividades. Essa aposta se revelou acertada e nos permitiu sustentar, sem interrupção, a estratégia corporativa de expansão dos negócios de forma integrada, com rentabilidade e conforme os padrões de responsabilidade social e ambiental.
Essa atuação levou a Petrobras à quarta posição em valor de mercado entre as empresas mundiais de energia com ações em bolsa, com US$ 199,2 bilhões, o dobro do ano anterior. A companhia também manteve sua qualificação de grau de investimento e garantiu, pelo quarto ano consecutivo, sua participação no Índice Dow Jones de Sustentabilidade.
O lucro líquido consolidado em 2009 foi de R$ 29 bilhões, um resultado expressivo se considerarmos a redução dos preços e os volumes de produtos de petróleo negociados no mercado internacional. O valor médio do barril do óleo Brent ficou em US$ 62,40, ou seja, 36,5% abaixo da cotação do ano anterior, e a demanda mundial por derivados diminuiu em cerca de 2% em relação a 2008. Apesar dessa retração do mercado, aumentamos os investimentos em todos os segmentos da cadeia de petróleo e gás, totalizando R$ 70,8 bilhões, um acréscimo de 33% em relação ao ano anterior. A maior parcela dos recursos – 44% − foi destinada à área de Exploração e Produção, que recebeu o valor recorde de R$ 30,8 bilhões.
A produção de petróleo e gás da Petrobras, no Brasil e no exterior, atingiu a média diária de 2,5 milhões de barris de óleo equivalente (boe), 5,2% acima do volume obtido em 2008, o que colaborou para um aumento de 8,9% nas exportações de petróleo. As reservas provadas de óleo, condensado e gás natural no Brasil e no exterior no final de 2009 somaram 14,9 bilhões de boe, segundo o critério ANP/SPE.
O ano foi marcado pela consolidação do sucesso da atividade exploratória no Pré-Sal, com o início da produção para o Teste de Longa Duração (TLD) no campo de Tupi, na Bacia de Santos. Também foram concluídos os testes de formação em Guará e em Iara, que confirmaram a estimativa de volume recuperável de 4 a 6 bilhões de barris de óleo leve e gás natural. Para 2010 estão programados os TLDs de Guará e de Tupi Nordeste e a entrada em produção do Sistema-Piloto de Tupi. Esses testes são de extrema importância porque fornecerão informações necessárias para definir a estratégia de desenvolvimento dessas áreas. Reiteramos que as reservas do País poderão duplicar se confirmados os volumes recuperáveis estimados de óleo e gás somente nas acumulações testadas no Pré-Sal.
A nova fronteira exploratória no Pré-Sal levou o Governo brasileiro a propor um marco regulatório específico para a exploração e produção de óleo e gás natural nessa camada geológica e em outras áreas que venham a ser consideradas estratégicas. A proposta, em trâmite no Congresso Nacional, não altera os termos dos contratos de concessão já firmados para aproximadamente 28% da área mapeada do Pré-Sal. Caso seja aprovado, além da concessão, o novo marco será constituído por outros dois regimes de contratação de atividades de exploração e produção. Para as áreas ainda não licitadas do Pré-Sal e as consideradas estratégicas, será adotado o sistema de partilha de produção, que terá a Petrobras como operadora de todos os blocos, com participação mínima de 30% nos projetos. A proposta legislativa também prevê a adoção de um sistema de cessão onerosa de direitos, que concederia à Petrobras o direito de exercer atividades de exploração e produção em determinadas áreas do Pré-Sal, até o limite de 5 bilhões de barris de petróleo e gás natural. Pela cessão, a companhia pagaria à União um valor determinado segundo as melhores práticas de mercado. O projeto de lei relativo à cessão onerosa também autoriza o aumento do capital da Petrobras, num montante entre uma e três vezes o valor da cessão, o que permitirá à companhia ampliar seus crescentes investimentos de maneira sólida e sustentável.
Na área de Abastecimento, foram investidos R$ 16,5 bilhões em 2009, um aumento de 63% em relação ao montante de 2008. Esses recursos se destinaram principalmente à ampliação da capacidade de refino e a melhorias tecnológicas para converter o óleo pesado dos campos brasileiros em derivados de maior valor. As 11 refinarias da Petrobras instaladas no País processaram 1.791 mil barris por dia (bpd) de carga fresca e produziram 1.823 mil bpd de derivados. A Petrobras expandiu ainda mais sua atuação no setor petroquímico e diversificou o portfólio de produtos por meio de incorporações e construção de novas unidades. Prosseguiram também os investimentos na ampliação do mercado externo de etanol, principalmente Ásia e Estados Unidos: as exportações em 2009 foram de aproximadamente 330 mil m3.
Ao longo do ano, a Petrobras voltou a expandir a oferta de gás natural e energia elétrica. A malha nacional de gasodutos ganhou 729 quilômetros, totalizando 7.659 quilômetros, e foi inaugurado o segundo terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) do País, com capacidade de produção de 20 milhões de m3/dia, na Baía de Guanabara. O parque gerador termelétrico da companhia, composto por 17 usinas, próprias ou alugadas, atingiu a capacidade instalada de 5.476 MW. Os investimentos em Gás e Energia somaram R$ 6,6 bilhões.
Por intermédio da Área Internacional, a Petrobras mantém atividades em 24 países. Devido às descobertas no Pré-Sal, a Área Internacional reformulou sua estratégia de atuação. O novo posicionamento visa complementar o portfólio nacional, de modo a valorizar os negócios e contribuir para a integração da cadeia de produtos. Em 2009, investimos R$ 6,8 bilhões em nossas atividades internacionais, especialmente no desenvolvimento da capacidade de produção de petróleo e gás e de refino.
No segmento de Distribuição, o aumento da demanda de combustíveis e a incorporação da companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga proporcionaram um novo recorde de vendas no mercado interno. Foram comercializados 41.841,8 de m3 em 2009, volume que contribuiu de forma expressiva para que o lucro da Petrobras Distribuidora atingisse R$ 1,5 bilhão e essa subsidiária mantivesse a liderança do mercado brasileiro, com uma fatia de 38%. Já a Petrobras Biocombustível, um ano após sua criação, opera com três usinas para produção de biodiesel, com capacidade anual de produção de 325,8 mil m3 e expansão prevista para 2010, a ser concretizada por meio de incorporações, ampliações e novas unidades.
O domínio e o pioneirismo da Petrobras em tecnologia e exploração em águas profundas e ultraprofundas, a capacidade de seu corpo técnico e a adoção das melhores práticas de governança corporativa asseguraram resultados consistentes em 2009 e reforçaram a confiança no futuro da companhia em meio a um cenário econômico adverso. O Plano de Negócios 2009-2013 prevê investimentos de US$ 174,4 bilhões, dos quais US$ 28 bilhões somente para o desenvolvimento do Pré-Sal.
Além disso, a companhia apoia projetos culturais, esportivos, sociais e ambientais, nos quais investiu cerca de R$ 464,5 milhões em 2009. Essas iniciativas estão inseridas em seus programas corporativos, como o Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania, o Programa Petrobras Ambiental e o Programa Petrobras Cultural, além de destinar recursos ao Fundo para a Infância e a Adolescência (FIA) com foco na garantia dos direitos da criança e do adolescente.
O Plano Estratégico 2020 da Petrobras estabelece a meta de atingir patamares de excelência, na indústria de energia, quanto à intensidade de emissões de gases de efeito estufa nos processos e produtos. Nosso Plano de Negócios 2009-2013 prevê evitar a emissão de 4,5 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2013. Tal meta permitirá atenuar a curva de crescimento do volume de emissões sem restringir a expansão dos negócios ou pôr em risco os compromissos assumidos pelo Brasil no cenário internacional.
As informações contidas neste relatório fazem parte das estratégias da Petrobras para a condução dos negócios e atividades com responsabilidade social e ambiental, alinhada ao cumprimento dos dez princípios do Pacto Global da ONU. Por este motivo, reafirmamos nosso compromisso de continuar participando dessa iniciativa, da qual a companhia é signatária desde 2003.
Por tudo isso, a Petrobras está reescrevendo a história da presença brasileira no cenário mundial de energia, assegurando consideráveis reservas para o Brasil e retornando à sociedade parte do resultado de suas atividades, sempre comprometida com o desenvolvimento sustentável.
José Sergio Gabrielli de Azevedo
Presidente da Petrobras