Com os investimentos em biocombustíveis, a Petrobras busca o desenvolvimento de tecnologias que assegurem a liderança mundial de produção nesse segmento de mercado, que tem ganhado espaço nas matrizes energéticas de diversos países. Combustível que pode ser derivado de óleos vegetais e gordura animal, o biodiesel é um dos focos de trabalho da companhia, que busca desenvolver essas duas opções de produção do combustível para adição ao óleo diesel de origem fóssil, com benefícios nas áreas de transporte e geração de energia elétrica.
A Petrobras Biocombustível opera três usinas de biodiesel, localizadas nos municípios de Candeias (BA), Quixadá (CE) e Montes Claros (MG). Com a duplicação da Usina de Candeias para 216 mil m³/ano, a capacidade total de produção das três unidades atingiu 434 mil m³/ano em 2010. A subsidiária ainda detém participação acionária de 50% na Usina de Biodiesel de Marialva (PR), que entrou em operação em maio, com capacidade de produção de 127 mil m³/ano de biodiesel. No Pará, está em desenvolvimento o projeto para construção de uma nova usina, com início de operação previsto para 2013 e capacidade instalada de 120 mil m³/ano.
Em 2010, a parceria entre a Petrobras e a Galp para a criação de uma empresa conjunta, a Belém Bioenergy BV, foi consolidada. A joint venture será responsável por conduzir um projeto de produção de óleo de palma no Pará e a construção de uma usina para produção de 250 mil t/ano de biodiesel de segunda geração em Portugal. Com esses investimentos, a capacidade total de produção da Petrobras Biocombustível deverá atingir 750 mil m³/ano em 2014.
Todas as usinas da Petrobras Biocombustível possuem o Selo Combustível Social, em conformidade com as diretrizes do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). O selo é uma identificação concedida pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário aos produtores de biodiesel que promovem a inclusão social e o desenvolvimento regional por meio de geração de emprego e renda para os agricultores familiares do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
A empresa mantém contratos de compra de grãos com 65.554 agricultores familiares, em 148.578 hectares (ha) de área cultivada, dos quais 122.024 ha com mamona, 16.735 ha com girassol e 9.819 ha com soja. Para a safra 2009/2010, a subsidiária disponibilizou 1.032 toneladas de sementes, sendo 788 de mamona e 244 de girassol. Na mesma safra, adquiriu da agricultura familiar 84,5 mil toneladas de grãos, a um custo de R$ 80,4 milhões.
A Petrobras Biocombustível adquiriu, em agosto, 50% do capital social da Bioóleo Industrial e Comercial S.A., localizada em Feira de Santana (BA), por R$ 15,5 milhões. A empresa tem capacidade para processar até 130 mil t/ano de oleaginosas e armazenar 30 mil t de grãos, além de tancagem para 10 milhões de litros de óleo. O acordo de acionistas prevê um aporte de R$ 6 milhões para investimentos em melhorias operacionais.
A Petrobras Biocombustível processou 23 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2010, com produção de 942 mil m³ de etanol e 1,55 milhão de toneladas de açúcar e venda de 517 GWh de energia elétrica excedente por meio de suas participações em usinas no setor.
A Petrobras investirá US$ 1,9 bilhão no segmento de etanol entre 2010 e 2014. Com os recursos, ampliará sua produção própria de etanol para 2,6 milhões de m³ em 2014, consolidando sua posição entre as maiores produtoras de etanol, um dos mais competitivos biocombustíveis do mundo. O acréscimo de produção não apenas atenderá ao crescimento interno, mas também será exportado.
Em abril de 2010, foi assinado acordo com o grupo francês Tereos para a formação de uma parceria estratégica que prevê investimento de RS 1,6 bilhão da Petrobras, por meio de sua subsidiária Petrobras Biocombustível, para adquirir 45,7% da Guarani, a terceira maior empresa do setor sucroalcooleiro no Brasil. O movimento amplia a atuação da companhia em biocombustíveis. A parceria com a Tereos ainda rendeu a assinatura do contrato de fornecimento de 2,2 milhões de m³ de etanol pela Guarani à Petrobras Distribuidora, distribuídos ao longo de quatro anos, com valor global estimado em R$ 2,1 bilhões.
Após o aporte da Petrobras, em maio, a Guarani adquiriu a usina Mandu, localizada em Guaíra (SP), elevando para oito o número de usinas da empresa − sete no Brasil, todas localizadas em São Paulo, e uma na África, em Moçambique. Aprovaram-se investimentos de R$ 422 milhões, para elevar a capacidade de moagem de cana-de-açúcar da Guarani de 21,3 milhões de t/ano para 22,5 milhões de t/ano, ampliando a produção de etanol de 692 mil m³/ano para 787 mil m³/ano e a venda de energia elétrica excedente dos atuais 350 GWh/ano para 951 GWh/ano.
Em novembro, a Petrobras Biocombustível progrediu em sua estratégia de ampliação da capacidade de moagem e produção de etanol, concluindo a subscrição de 49% das ações da Nova Fronteira Bioenergia S.A. (parceria entre a subsidiária e o Grupo São Martinho). A operação se deu mediante aporte de R$ 421 milhões, dos quais R$ 258 milhões em 2010. Focada no desenvolvimento da produção de etanol na região de Goiás, com adequada solução logística para distribuição ao mercado, a Nova Fronteira planeja ampliar sua capacidade anual de moagem de cana-de-açúcar de 2 milhões de toneladas para 7 milhões de toneladas até 2014, o que possibilitará elevar a produção anual de etanol dos atuais 176 mil m³ para 620 mil m³. Já a venda de energia elétrica excedente deverá passar de 135 GWh/ano para 469 GWh/ano.
A Petrobras Biocombustível também investiu R$ 150 milhões no capital social da Total Agroindústria Canavieira S.A., usina de etanol situada em Bambuí (MG), conforme compromisso estabelecido em dezembro de 2009, passando a deter participação societária de 43,58%. Em 2010, a Total investiu mais de R$ 51 milhões na expansão dos canaviais e na compra de caminhões e máquinas colheitadeiras, elevando a mecanização da colheita para 80%. O objetivo é atingir, em 2012, 100% de mecanização. Foram ainda iniciados investimentos de R$ 124 milhões para a construção da segunda etapa da usina Bambuí, que, em 2012, terá sua capacidade de moagem de cana-de-açúcar ampliada de 1,2 milhão para 2,2 milhões de toneladas, dobrando a capacidade de produção de etanol para 200 mil m³.
Em outra frente, a Petrobras investe em pesquisa e desenvolvimento de uma nova rota tecnológica, a produção do chamado etanol de segunda geração, fabricado a partir de biomassa. Com a tecnologia, será possível aumentar o rendimento do processo industrial em 40% sem ocupação de um hectare a mais com cana-de-açúcar, reduzindo ainda mais o impacto ambiental da cultura. Em julho, a companhia fechou contrato de parceria com a holandesa BIOeCON para o desenvolvimento de um novo processo de conversão de biomassa lignocelulósica, encontrada em resíduos agrícolas como o bagaço de cana-de-açúcar, em produtos que podem ser utilizados na produção de "plásticos verdes" ou transformados em biocombustíveis avançados.
Em outubro, a Petrobras firmou acordo de cooperação tecnológica com a empresa dinamarquesa Novozymes que engloba o desenvolvimento de enzimas e os processos de produção para a segunda geração do etanol celulósico a partir do bagaço, por meio de um processo enzimático.
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