Balanço de nossas atividades

Refino e comercialização

Com a utilização média de 93% da capacidade nominal, um ponto percentual acima do apurado em 2009, as 12 refinarias da Petrobras no Brasil processaram 1,798 milhão de bpd de carga e produziram 1,832 milhão de bpd de derivados em 2010. Do volume total de petróleo processado, 82% vieram de campos brasileiros, três pontos percentuais a mais que o registrado um ano antes.

No exterior, as refinarias da Petrobras produziram 220 mil bpd de derivados em 2010, alta de 4% sobre o volume processado no ano anterior. A capacidade nominal do parque de refino internacional da companhia teve aumento de quatro pontos percentuais em 2010, para 70%.

Produção de Derivados
Mil Barris Por Dia 2010 2009
Produção de Derivados 2.052 2.034
Nacional 1.832 1.823
Internacional 220 211
Utilização da Capacidade Nominal (%)
Nacional 93 92
Internacional 70 66
Participação do Óleo Nacional (%) 82 79

Para atingir esse desempenho operacional, investiu-se em melhorias no parque de refino e ajustes na capacidade de processamento. Ao longo de 2010, realizaram-se paradas programadas para manutenção nas refinarias Presidente Bernardes (RPBC), Presidente Getúlio Vargas (Repar), Henrique Lage (Revap) e Paulínia (Replan). A Replan, a maior unidade de refino da Petrobras e do Brasil, teve sua capacidade de processamento ampliada de 360 mil bpd para 396 mil bpd, no segundo semestre.

Ajustes operacionais

Por meio de ajustes nas condições operacionais das refinarias, o programa de maximização da produção de diesel e querosene gerou 17,1 milhões de barris adicionais, elevando de 42,2% para 44,8% o volume desses derivados em relação à carga de petróleo processada.

Com a expansão da produção nacional de petróleo nos últimos anos, a Petrobras tem investido para converter óleo cru em derivados de maior valor agregado, para abastecer tanto o mercado interno quanto o externo. Em 2010, na Revap, entraram em operação uma unidade de coqueamento retardado − que converte as frações mais pesadas de petróleo em frações leves de maior valor econômico − e uma unidade de hidrotratamento de nafta de coque, cujo objetivo é tornar o combustível mais limpo, diminuindo o teor de enxofre. Cabe ressaltar que os combustíveis sempre possuem partículas de enxofre, presentes em milionésimas partes, portanto, não há como evitar sua emissão completa à atmosfera, até porque existem outros fatores envolvidos, como especificações de motores e condições de tráfego.

Outras refinarias também têm recebido investimentos para estar preparadas para oferecer produtos de melhor qualidade ao mercado. Além da Revap, estão sendo construídas plantas de hidrotratamento nas refinarias RPBC, Reduc, Regap, RLAM, Repar, Recap, Replan e Reman, para a produção de combustível com menor teor de enxofre.

Como a maior parte de sua receita é obtida no Brasil, a Petrobras volta-se ao atendimento do mercado do País, comercializando gasolina, diesel, óleo lubrificante, querosene de aviação (QAV), nafta, gás liquefeito de petróleo (GLP), lubrificantes e óleo para navio. Para atender à alta da demanda prevista para os próximos anos, a companhia está investindo na ampliação da capacidade de refino no Brasil, que, há três décadas, não registra a aplicação de recursos em novas refinarias.

Prevista para entrar em operação comercial em 2013, a Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, terá capacidade para processar 230 mil bpd de óleo pesado e produzir até 162 mil bpd de diesel com baixo teor de enxofre, com 10 ppm (partes por milhão), em conformidade com as especificações internacionais para esse combustível. Também serão produzidos GLP, nafta petroquímica, óleo combustível para navios e coque de petróleo.

A refinaria Premium I, a ser construída em Bacabeira (MA), está programada para operar em duas fases: a primeira, prevista para 2014, com capacidade de processamento de 300 mil bpd de óleo, e a segunda, em 2016, ampliando a capacidade para 600 mil bpd de petróleo. Já a Premium II, com início de operação previsto para 2017, será construída em Caucaia (CE) e terá capacidade para processar 300 mil bpd de óleo. A Refinaria será interligada a um terminal portuário, no porto de Pecém, por uma faixa de dutos de 11 quilômetros de extensão. As duas refinarias produzirão basicamente destilados médios, como diesel e QAV. Em novembro de 2010, foi assinado contrato para fornecimento dos projetos básicos e de pré-detalhamento das duas unidades de refino.

No município de Itaboraí (RJ), está sendo erguida a Refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), cuja primeira fase deverá operar no final de 2013, com capacidade de processamento de 165 mil bpd de óleo, enquanto a segunda etapa do complexo iniciará sua atividade comercial em 2018, elevando a capacidade para 330 mil bpd de petróleo. Serão produzidos diesel, GLP, QAV, nafta, óleo combustível, coque e enxofre, a fim de suprir o mercado nacional e fornecer matéria-prima para as unidades petroquímicas. Cerca de 60% das licitações que deveriam ser feitas para a compra de equipamentos já estão concluídas, e o restante deverá ser contratado até o fim de 2011.

Em setembro, entrou em operação a unidade de gasolina na Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC), com capacidade para produzir 5,2 mil bpd de gasolina e 1,6 mil bpd de nafta petroquímica. A RPCC está prevista para ter sua obra de expansão concluída em 2011.

Com os investimentos na construção dessas novas refinarias, a carga fresca processada no Brasil, em 2014, será de 2,26 milhões de bpd. Para o período pós-2014, quando estão programadas a segunda etapa de ampliação do Comperj e as duas refinarias Premium no Nordeste, a previsão é de que a capacidade do refino no País alcance 3,2 milhões de bpd de carga fresca processada, em 2020. Isso permitirá que a Petrobras não apenas atenda à demanda nacional, como também possa exportar derivados, agregando valor ao aumento da produção doméstica de óleo cru.

Comercialização de derivados

O crescimento de 7,5% do PIB brasileiro em 2010, o maior resultado desde 1986, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), impulsionou a demanda por derivados no Brasil. Nesse cenário, a Petrobras comercializou no mercado interno 2,378 milhões de bpd, volume 13% superior ao registrado um ano antes, com destaque para as vendas de óleo diesel, gasolina, gás natural e querosene de aviação (QAV).

Com a recuperação da atividade industrial, a ampliação dos investimentos em infraestrutura e o aumento da safra de grãos, as vendas de diesel tiveram alta de 9% em 2010. O volume vendido de gasolina foi 17% superior ao do ano anterior, em razão do crescimento da economia, dos maiores preços do etanol e da decisão anunciada em fevereiro pelo Governo Federal de reduzir o teor de álcool anidro misturado à gasolina (de 25% para 20%).

A demanda de QAV cresceu 19%, com a recuperação da economia nacional e mundial e o consequente aumento do número de voos nacionais e internacionais a partir do Brasil. A reposição de estoques na indústria petroquímica fez com que as vendas de nafta crescessem 2% em 2010. Já as vendas de GLP tiveram alta de 4%.

O aumento de 33% nas vendas de gás natural se deveu à expansão do consumo do setor industrial, além da maior participação do gás no acionamento das usinas térmicas. Por conta de as indústrias substituírem óleo combustível por gás natural e carvão mineral, as vendas do derivado caíram 1% em 2010.

Volume de Vendas − Mercado Interno
Mil Barris Por Dia 2010 2009
Derivados
Diesel 809 740
Gasolina 394 338
Óleo combustível 100 101
Nafta 167 164
GLP 218 210
QAV 92 77
Outros 180 140
Total de Derivados 1.960 1.770
Álcoois, nitrogenados, renováveis e outros 99 96
Gás natural 319 240
Total Mercado Interno 2.378 2.106
Exportação e importação de petróleo e Derivados
Mil Barris Por Dia 2010 2009
Importação de petróleo e derivados 615 549
Importação de petróleo 316 397
Importação de derivados 299 152
Exportação total de petróleo e derivados (1) 697 705
Exportação de petróleo (2) 497 478
Exportação de derivados 200 227
Exportação líquida de petróleo e perivados 82 156

(1) Incluem exportações em andamento.
(2) Estão contemplados os volumes de exportações de petróleo oriundos das áreas de negócio de Abastecimento e de Exploração e Produção.

Saldo Financeiro da Balança Comercial(1) US$ milhões
  2010 2009
Importação de petróleo e derivados 18.077 12.327
Petróleo 9.118 8.929
Derivados 8.959 3.398
Exportação total de petróleo e derivados 19.610 15.201
Petróleo 13.990 10.050
Derivados 5.620 5.151
Exportação líquida de petróleo e derivados 1.534 2.874

(1) Sem considerar os dados de gás natural, gás natural liquefeito (GNL) e nitrogenados.

Balança comercial

A balança comercial da Petrobras registrou, em 2010, um superávit de US$ 1,534 bilhão, resultado que considera exportações e importações de petróleo e derivados, mas desconsidera do cálculo gás natural, GNL e nitrogenados. Em 2010, as exportações de petróleo atingiram 497 mil bpd, alta de 4% ante o volume de 2009, reflexo do aumento da produção interna. Em razão do aquecimento do mercado interno, as vendas de derivados para o mercado externo somaram 200 mil bpd, registrando queda de 12%.

As compras externas de petróleo alcançaram 316 mil bpd, uma redução de 20%, enquanto as de derivados somaram 299 mil bpd, um acréscimo de 96%. O volume de diesel importado atingiu 143 mil bpd, 149% superior ao de 2009, e o de QAV, 34 mil bpd, um acréscimo de 60%, reflexo do aquecimento do mercado interno. Foram importados 9 mil bpd de gasolina, em função do crescimento expressivo da frota de veículos flex fuel, associado à escassez de álcool no mercado no início de 2010.

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