Resultados econômico-financeiros

Um ano para entrar na história

Um ano para entrar para história
Investimento realizado

A Petrobras encerrou o exercício de 2010 com um lucro de R$ 35,2 bilhões, o maior de sua história e o maior resultado de uma empresa de capital aberto no Brasil. O desempenho − 17% acima dos R$ 30 bilhões registrados no ano anterior − foi reflexo da expansão da economia brasileira em 2010 − que cresceu 7,5% segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) −, da ampliação da produção de óleo e gás natural, do aumento dos volumes de venda de derivados no mercado brasileiro e da recuperação das cotações internacionais de petróleo. As vendas no mercado doméstico foram 13% superiores às de 2009, com destaque para óleo diesel, gasolina, querosene de aviação (QAV) e gás natural.

Também contribuíram para o resultado o aumento de participação do óleo nacional na carga processada, que subiu de 79% em 2009 para 82% em 2010, e a maior utilização da capacidade nominal das refinarias, cuja média em 2010 foi de 93%. O desempenho financeiro histórico coincidiu com recordes operacionais: a empresa fechou o ano com produção de 2,583 milhões de barris por dia (bpd), alta de 2% em relação a 2009.

Lucro líquido consolidado
Investimento realizado (R$ milhões)
E&P 32.426
Abastecimento 28.007
Gás e Energia 4.884
Internacional 4.771
Distribuição 895
Corporativo 2.648
Outros * 2.780
Total investido 76.411

* Sociedades de propósito específico.

Em linha com sua estratégia de crescer de forma integrada em energia, a companhia investiu R$ 76,4 bilhões em 2010, um desembolso 8% superior ao de 2009, com destaque para a exploração e produção de petróleo e as áreas de Abastecimento, Gás e Energia, Distribuição e Internacional.

A geração de caixa operacional, medida pelo indicador Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), alcançou o montante recorde de R$ 60,3 bilhões, alta de 1% em relação ao resultado de 2009, quando chegou a R$ 59,5 bilhões. A margem Ebitda (relação entre o Ebitda e sua receita líquida de vendas) ficou em 28%, queda de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior.

A operação de capitalização, que rendeu R$ 120,2 bilhões ao caixa da Petrobras, contribuiu para a queda do seu nível de alavancagem, de 31% em 2009 para 17% em 2010, o que torna a empresa ainda mais robusta para fazer frente ao seu programa de investimentos nesta década. A relação dívida líquida/Ebitda caiu de 1,23 em 2009 para 1,03 em 2010. O endividamento líquido foi reduzido de R$ 73,4 bilhões para R$ 62,1 bilhões em 2010.

R$ bilhões 2010 2009
Endividamento de curto prazo 15,7 15,6
Endividamento de longo prazo 102,2 86,9
Endividamento total 117,9 102,5
Disponibilidades 30,3 29,0
Títulos públicos federais 25,5 0
Disponibilidades ajustadas 55,8 29,0
Endividamento líquido 62,1 73,4
Dívida líquida/Ebitda 1,03 1,23

A Petrobras continuou seguindo sua política de preços, que busca o alinhamento da cotação doméstica aos preços internacionais no longo prazo. No mercado doméstico, as cotações permaneceram estáveis em 2010. Em reais, o preço dos derivados no mercado interno se manteve em R$ 158,43 por barril. A elevação das cotações do óleo no mercado internacional foi parcialmente compensada pela valorização de 12% do real ante o dólar no período.

Por conta do aquecimento do mercado interno, que elevou a demanda por derivados, a balança comercial da Petrobras foi impactada com o aumento das importações de combustíveis. As exportações de petróleo e derivados em 2010 somaram 697 mil bpd, patamar similar ao verificado em 2009, enquanto as importações de petróleo e derivados cresceram 12%, de 549 mil bpd em 2009 para 615 mil bpd. As compras externas apenas de derivados subiram 96%, atingindo 299 mil bpd, com a alta da demanda. A exportação líquida de petróleo e derivados em 2010 foi reduzida para 82 mil bpd, e o saldo financeiro caiu de US$ 2,874 bilhões em 2009 para US$ 1,534 bilhão em 2010, em razão dos maiores preços de importação. A base de cálculo do saldo financeiro não inclui GNL, gás natural e nitrogenados.

Balança Comercial Volume Financeiro

Em decorrência do maior número de intervenções em poços, o custo médio de extração, sem participação governamental, teve alta de 14% em 2010, para US$ 10,03 por barril de óleo equivalente (boe). Desconsiderando o efeito cambial, o indicador cai para 5%. Incluindo-se o pagamento de participações governamentais, o custo de extração teve alta de 20% quando comparado ao de 2009, chegando a US$ 24,64/boe. Sem variação cambial, a alta foi de 16%, influenciada principalmente pela elevação do preço médio de referência do petróleo nacional.

Em reais, o custo médio de extração foi de R$ 17,58/boe, superior em 2% ao registrado no ano anterior. Incluídas as participações governamentais, o custo atingiu R$ 43,48, valor superior em 10% ao do exercício anterior, novamente influenciado pelo crescimento de 17% no preço médio de referência do petróleo nacional, em reais.

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